Vagafogo, 17 anos depois

Em 30 de setembro de 2016 por Dani Cronemberger

vagafogo

Antes de começar, tive de fazer as contas: há 17 anos que não ia na Vagafogo, fazenda de Pirenópolis famosa pelo brunch e pela trilha ecológica. Dezessete anos. Eu era uma menina, estagiária de jornal, quando sugeri uma pauta recheada de interesse próprio. O editor topou e pude trocar, por um dia, a cobertura de assassinatos e acidentes de trânsito por experimentar delícias em um santuário do cerrado. Foi um upgrade premeditado, digamos assim.

Naquela época, a Vagafogo já era muito conhecida. O brunch era farto, com mil geleias, pães e queijos artesanais – alimentos produzidos, em grande parte, na própria fazenda. A lembrança era fresca na memória, todo mundo adorava, mas… se passaram 17 anos. E quantos lugares famosos pela comida extraordinária você conhece há 17 anos que mantiveram a mesma qualidade ao longo do tempo? Um? Dois? Nenhum? Difícil, né.

Meu pessimismo era grande quando decidi voltar à Vagafogo, no fim de semana passado. Mas cheguei, e a mesma cena foi se desenrolando: o mesmo casal, com mais fios brancos do que antes, o mesmo filho, mais adulto, explicando o conteúdo dos mil potinhos que estavam na mesa. E só uma diferença: a comida estava melhor.

Dezessete anos, e a qualidade não se manteve – aumentou. A Vagafogo deu um tapinha de pelica no meu descrédito e foi jogando na minha cara o biscoito de queijo mais delícia do mundo, uma omelete perfeita, lagarto com azeite, salada de fruta com caju e amora do pé, suco de jabuticaba, pães próprios (o de mel é uma coisa), bolo de mandioca, requeijão caseiro e mais trocentas opções que não vou lembrar, mas com combinações tão variadas, simples e sofisticadas, que não tem como não amar.

Sem falar no waffle, na tortinha de banana e na broa que vieram depois, cada um com recomendações diferentes de acompanhamento: doce de leite artesanal, geleias e chutneys de mil coisas e chantili feito com o creme de leite fresco produzido lá. É escrever isso e abrir um buraco no meu estômago instantaneamente.

Para quem não sabe, a Vagafogo tem uma trilha, curta e toda sombreada, com uma pequena cachoeira, onde dá pra mergulhar em um pocinho. Tem também atividades de aventura, como arvorismo, que as crianças adoram. Normalmente as pessoas fazem o passeio e comem o brunch na volta. A gente chegou com fome e fez o inverso.

Pode ser que, na trilha, você esbarre num grupo grande e barulhento, apesar das placas pedindo silêncio em respeito aos animais silvestres. Foi o nosso caso, mas deu pra se distanciar da histeria e encontrar o silêncio no Jatobá enorme e incrível que encerra o caminho. É preciso parar de escutar a própria voz (ou a voz dos outros) para ouvir de verdade o lugar. Olhar de verdade o lugar. E querer voltar.

 

Bora?

Santuário Vagafogo
Brunch das 9h às 16h – R$ 48 adulto, R$ 18 criança (até 5 anos não paga)
Trilha de 1 hora – R$ 20 adulto, R$ 10 criança
www.vagafogo.com.br

  • Núbia Gomes

    Lá é (muito) maravilhoso! E os cachorrinhos? Guias mais fofos do mundo!